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04.11.2019 • Economia

Campo Grande será polo de distribuição de ureia

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Campo Grande (MS) - Uma empresa para comercialização e distribuição de ureia, material derivado do gás natural, será construída em Campo Grande. O empreendimento será uma sociedade entre a gigante russa de fertilizantes, Acron, e a empresa estatal de energia da Bolívia, Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). A mesma parceria que permitirá a abertura da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3) em Três Lagoas.

Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, o acerto sobre a empresa que será criada na Capital já foi concretizado. 

“Eles assinaram para a criação dessa nova empresa para comercialização de ureia aqui em Campo Grande. Essa sociedade será de 50% da Acron e 50% da YPFB. Ela vai comercializar tanto a ureia da Bolívia quanto a de Três Lagoas e vai fazer a distribuição para todo o País. É um acordo comercial que é extremamente positivo para o Estado e daí entra toda a questão da negociação que eles fizeram para a compra de gás direto da Bolívia”. 

Conforme a Agência EFE, em outubro, a Acron e a YPFB fecharam acordo para criação de uma companhia conjunta para vender ureia ao mercado brasileiro. As empresas já haviam chegado a um entendimento em julho, na Rússia. Conforme comunicado da companhia petrolífera boliviana, as empresas têm previsão de vender 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia ao mercado brasileiro, pelo prazo de 20 anos, a contar de 2021.

Ainda de acordo com o documento da YPFB, a parceria com o grupo russo é um grande passo para internacionalização da estatal como empresa de venda de gás e “como parceiro operacional fora das fronteiras bolivianas”. Brasil e Argentina são os principais mercados do gás natural da Bolívia. O país vizinho tem contrato com a Petrobras e exporta, atualmente, 30 milhões de metros cúbicos por dia do produto ao Brasil.

UFN3

A Petrobras selou acordo com o grupo russo de fertilizantes, Acron, para a venda  da UFN3, empreendimento bilionário cuja a construção em Três Lagoas foi interrompida em dezembro de 2014, com 83% das obras já concluídas, por ilegalidades apontadas pela Operação Lava Jato. A assinatura do contrato, que seria concretizada até 30 de agosto, será concluída ainda em 2019.

A YPFB também selou acordo com a Acron para fornecer gás às unidades da empresa no Brasil, entre elas a fábrica de Três Lagoas. O acerto foi divulgado pelas duas partes e possibilitará a venda de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia pela empresa pública boliviana para o grupo russo por um período de 20 anos, válido a partir de 2023. A UFN3 tem como matéria-prima o gás natural e o fornecimento de longo prazo é fundamental para as atividades. 

Sobre a assinatura do acordo para a retomada da indústria, Verruck acredita que tudo caminha para que a unidade seja aberta dentro do prazo. “Nós fomos a Três Lagoas na semana passada e tivemos uma reunião com a Acron. Discutimos sobre a qualificação profissional, contratação de fornecedores e outros detalhes. Nós fizemos uma reunião técnica muito mais detalhada, já pensando na questão da retomada da UFN3. A assinatura do contrato continua igual, pode ser amanhã, depois ou daqui três semanas. Eu senti muita força no negócio principalmente pelo nível de detalhes que estamos acertando, mas não está assinado ainda. Então avançou mais um passo quando a gente viu esse nível de detalhamento que eles estão querendo. A gente continua com a expectativa da assinatura neste ano, em fevereiro de 2020 tem o início das obras e em janeiro de 2023 começa a operação”, informou o secretário.