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18.11.2020 • Brasil

Centrais sindicais se fundem para representar mais de 10 milhões

centrais

Campo Grande (MS) - Mais de 10 milhões de trabalhadores e trabalhadoras na indústria, da base de sindicatos filiados à CUT e a Força Sindical, contam a partir de agora com a IndustriALL-Brasil para defender os direitos trabalhistas e sociais e  lutar pela reindustrialização do país.  

As duas maiores centrais sindicais do país lançaram a entidade na manhã desta terça-feira (17), numa live transmitida pelas redes sociais das centrais, das confederações, sindicatos e TVT.

“É um dia histórico”, disse o presidente da CUT, Sérgio Nobre. Segundo ele, o lançamento da IndustriALL-Brasil é um marco na organização dos trabalhadores e trabalhadoras na indústria para fortalecer o setor e a categoria. 

“A IndustriALL-Brasil nasce de uma união inédita e com objetivos de recuperar e modernizar a indústria brasileira para os que constroem a riqueza do país, que são os trabalhadores e trabalhadoras”, disse Sérgio.

“A CUT e a Força sindical têm a capacidade para construir, juntas, esta missão, mas será preciso envolver mais centrais e representações de trabalhadores para, de fato, representarmos os 18 milhões que têm na categoria a nível nacional, como aponta o Dieese”, completou o presidente da CUT.

São metalúrgicos, químicos, trabalhadores na construção civil, alimentação, energia e têxtil-vestuário, da CUT e Força, que formam o ramo da indústria, e estão se unindo para promover pesquisa, difundir conhecimento, elaborar, desenvolver e executar projetos, propor e articular medidas, inclusive legislativas, sobre novos modelos de políticas econômicas industriais e do trabalho.

A ideia central é fomentar e criar propostas e projetos de políticas para reindustrializar o país à luz das demandas da classe trabalhadora, com garantia de inovação e tecnologia com trabalho de qualidade e decente.

Além dos dirigentes de cada ramo da indústria, os presidentes nacionais da CUT e da Força terão assento na Direção Executiva da IndustriALL-Brasil. As duas centrais somam 5,7 mil sindicatos e entes associados, com 37,8 milhões de trabalhadores na base.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, não pôde participar da atividade de lançamento da IndustriALL-Brasil porque está se recuperando de Covid-19, mas mandou uma mensagem para os trabalhadores e trabalhadoras que acompanharam a  live de lançamento da entidade.

Segundo o dirigente, a IndustriALL-Brasil vem para consolidar a unidade da CUT e demais centrais em frentes de luta contra a retirada de direitos. A entidade quer um país melhor, humano e solidário, mas isso só será possível com democracia, diálogo social e crescimento que respeite o meio ambiente, os direitos dos trabalhadores, trabalho decente, salário digno e a qualificação profissional permanente, afirmou.

“A IndustriALL-Brasil nasce com grande representatividade, irá ampliar os debates para recuperação da indústria com fóruns, seminário nacional, internacional e criar um agenda de propostas para a indústria 4.0 e 5.0 impostos pela modernização. Precisaremos de uma política de transição para evitar o desemprego e de conhecimento para que todos possam integrar esta nova indústria com segurança”, concluiu Miguel.

A entidade, que foi inspirada na IndustriALL Global Union, que representa 50 milhões de trabalhadores no mundo, terá parcerias com universidades, instituições cientificas e com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

 

Na live de lançamento da IndustriALL-Brasil também foi apresentada a nova direção da entidade para o mandato 2020-2022.

Dirigentes sindicais e os trabalhadores e trabalhadoras do ramo da indústria que representam as centrais no Comitê Executivo da Industriall Global também terão assentos na direção. 

O presidente da IndustriALL-Brasil, Aroaldo de Oliveira, disse que vai ser preciso muito diálogo com os trabalhadores e com a sociedade sobre o que está acontecendo com a indústria nacional e da importância em investir no setor para o país e para os brasileiros.

“O país vive um desmonte da indústria brasileira e sem o carro chefe do desenvolvimento do país a gente já perdeu milhares de emprego, mesmo antes da pandemia. Em janeiro e fevereiro o saldo já era negativo por falta de uma política industrial e de desenvolvimento para o país. A gente já ocupou o novo lugar na indústria mundial e perdemos a importância, a gente precisa discutir muito a produção industrial para voltar a crescer”, afirmou.

O dirigente disse que os trabalhadores da indústria representam 15% do emprego formal e da massa salarial brasileira e diversos estudos apontam que a cada um real investido na indústria o retorno é de R$2,63.

 “Precisamos reindustrializar o país com uma nova indústria, com investimentos e nos apropriando das ferramentas da indústria 4.0. Além, claro, de pensar uma indústria com menos carbono e nos apropriar do debate da economia circular. O mundo não aguenta mais lixo”, pontuou Aroaldo.

“Vamos juntos construir a Industriall-Brasil plural, democrática, com muito diálogo para atingirmos nossos objetivos com emprego de qualidade para darmos um salta na qualidade na vida do povo brasileiro”, ressaltou Aroaldo, que é trabalhador na Mercedes em São Bernardo do Campo e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC).

A vice-presidenta da Industriall-Brasil, a metalúrgica Rosemary Prado, o Secretário-Geral, o químico Raimundo Suzart, o Secretário de Administração e Finanças, também do ramo químico, Sérgio Luiz Leite e Secretário de Relações Internacionais, o trabalhador na Construção Civil Claudio da Silva Gomes também mandaram seus recados na live de lançamento da entidade e posse da direção.  

Os secretários de relações internacionais da CUT e da Força e os representantes da IndustriALL-Global no Brasil, Lu Varjão, Edson Bicalho e Mônica Veloso, também celebraram o nascimento da IndustriALL-Brasil na live.  

O Secretário-Geral da IndustriALL Global, Valter Sanches, disse no lançamento da entidade brasileira que o país vive um momento difícil com Jair Bolsonaro  (ex-PSL) na presidência e a entidade contribuirá com a resistência e luta da classe trabalhadora.

Segundo ele, além do governo não ter políticas para combater a Covid-19, também não tem política para controlar a inflação e nem política industrial sustentável.

“Bolsonaro e Guedes estão destruindo as empresas públicas brasileiras e destruindo os patrimônios tão importantes para a recuperação e desenvolvimento do país e ainda atacam direitos da classe trabalhadora.  E tudo isso ao mesmo tempo, junto com a transformação do mundo do trabalho. A IndustriALL-Brasil é uma oportunidade de recuperar as bases a sindicalização, capacitar dirigentes e construir um proposta de reindustrialização sustentável. E nós da IndustriALL-Global estaremos juntos. A luta continua”, finalizou Valter Sanches.

 

Fonte: CUT