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25.06.2020 • Economia

Pandemia deixa 9,7 milhões sem remuneração em maio

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Campo Grande (MS) -  O distanciamento social provocado pela pandemia de Covid-19 deixou 9,7 milhões de trabalhadores sem remuneração em maio de 2020. Isso corresponde a mais da metade (51,3%) das pessoas que estavam afastadas de seus trabalhos e a 11,7% da população ocupada do país, que totalizava 84,4 milhões.

As informações são da primeira divulgação mensal da PNAD COVID19, realizada na quarta-feira (24) pelo IBGE. O levantamento é uma versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), realizada com apoio do Ministério da Saúde, para identificar os impactos da pandemia no mercado de trabalho e para quantificar as pessoas com sintomas associados à síndrome gripal.

No Mato Grosso do Sul, onde atualmente residem 2,7 milhões de pessoas, a população empregada soma 1,2 milhão, dos quais 301 mil tiveram suas rendas reduzidas, ou seja, mais de 25% da força de trabalho ocupada no Estado.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou nesta quarta-feira (24) a Pnad Covid-19, um recorte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua). Segundo o levantamento, na população residente, 1,3 milhão constitui a força trabalhadora do Estado. Dos quais 1,2 milhões eram ocupados e 127 mil desocupados. A população fora da força de trabalho ficou estimada em 835 mil.  

O nível de ocupação do Estado foi de 55,1%, o quinto maior do País. No comparativo com a pesquisa do primeiro trimestre, houve avanço no número de desempregados. A taxa de desocupação era de 7,6% (107 mil pessoas desocupadas) no primeiro trimestre e passou para 9,7% (127 mil trabalhadores) em maio, ou seja, 20 mil desempregados a mais.  

“A pandemia e o isolamento social fizeram com que as pessoas não buscassem trabalho, mesmo querendo trabalhar e não tendo ocupação. A pesquisa mostra que, em maio, 124 mil estavam nessa situação e não procuraram trabalho por causa da pandemia ou por falta de trabalho na região. Essas eram 14,9% da população fora da força de trabalho”, informa o documento do IBGE.

Além dos 25% da população que tiveram uma queda nos vencimentos mensais, 2,2% dos trabalhadores ocupados registraram rendimento maior do que o normalmente recebido durante o período de referência, o que, em números, são 26 mil pessoas.  

A média salarial ficou em R$ 2.264, somados todos os rendimentos do trabalhador. Já o valor efetivamente recebido, proveniente de todos os trabalhos que o informante tinha na semana de referência, foi de R$ 2.006.

Redução  

Entre os motivos para a queda dos salários e da jornada dos trabalhadores estão as mudanças trazidas pela MP 936/2020, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro em abril. De acordo com o Ministério da Economia, pelo menos 10,693 milhões de acordos entre funcionários e empregadores foram assinados nos moldes da MP. A medida permite redução de jornada em 25%, 50% ou 70%, com um corte proporcional no salário, por até três meses. Também é possível suspender o contrato por até dois meses.  

O governo estabeleceu uma compensação depositando valores diretamente na conta dos trabalhadores que podem chegar a 100% do seguro-desemprego, dependendo do nível salarial.

A Pnad Covid aponta que o número de pessoas que tiveram as horas de trabalho reduzidas, em Mato Grosso do Sul, chegam a 210 mil, ou 11,9% no total de pessoas ocupadas no Estado.