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24.09.2018 • Economia

Suinocultura deve crescer 30% em Mato Grosso do Sul

suinocultura

Campo Grande (MS) – Na contramão do segmento avícola, a suinocultura em Mato Grosso do Sul projeta um crescimento acentuado nos próximos dois anos. A expectativa é de que a atividade tenha alta de quase 30% na produção apenas de matrizes. A expansão do frigorífico JBS/Seara, de Dourados, animou os criadores, que se preparam para um novo aumento no volume de abates. 

A JBS/Seara aportou R$ 560 milhões para ampliar a planta douradense. Os abates saltaram de 3 mil suínos por dia para 4,2 mil por dia, de acordo com o presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (Asumas), Celso Philippi Júnior. A entidade representa 180 criadores. 

“Hoje, nós temos 69 mil matrizes suínas no Estado. Nossa projeção é de que esse número cresça em 20 mil matrizes nos próximos dois anos”, ressalta. 

A exportação de carne suína por Mato Grosso do Sul cresceu 11% no primeiro semestre de 2018. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex/Mdic), o setor movimentou 6,3 milhões de dólares (R$ 26,5 milhões) nos seis primeiros meses deste ano. No mesmo período do ano passado, o volume chegou a 5,7 milhões de dólares (R$ 23,9 milhões). 

A ampliação da unidade de Dourados está parcialmente finalizada. Quando pronta, terá capacidade para abater 6 mil suínos por dia. Celso Júnior diz que a planta depende da retomada de financiamento para operar no limite. 

“Nem eles [JBS/Seara] sabem quando vão conseguir [abater 6 mil suínos por dia]. Estão tentando reativar o Convir, que é via FCO [Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste]. Sem o convênio, os produtores não têm como obter financiamento”. 

A JBS perdeu acesso ao Convir na esteira dos escândalos de corrupção que envolviam dirigentes da empresa. A linha de crédito voltada para produtores rurais e suas cooperativas financia projetos destinados à implantação, à ampliação e à modernização de empreendimentos conduzidos em regime de integração rural. 

No ano passado, o abatedouro de Dourados informou à Semagro que o novo galpão teria 14 mil metros quadrados de área e abrigaria duas linhas de produção – uma de presunto e outra de bacon. A ampliação transformaria o local na maior fábrica de industrializados de suínos do Brasil. 

Em nota, a JBS respondeu que “os investimentos nas plantas de Mato Grosso do Sul estão de acordo com o plano de negócios da empresa” e que, no último ano, “ampliou em 40% o número de abates de carne suína para atender às demandas dos mercados interno e externo”. 

A planta da Aurora, em São Gabriel do Oeste, é a segunda maior do segmento no Estado, com abate de 3,1 mil suínos por dia. O Estado conta com outros cinco frigoríficos menores, que, juntos, abatem 300 animais por dia. 

Segundo a Central de Inteligência de Aves e Suínos (Cias) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Mato Grosso do Sul produziu 148 mil toneladas de carne suína no ano passado, equivalentes a 3,88% do total no País. Santa Catarina, com 1 milhão de toneladas, liderou a produção nacional. 

O Estado ainda respondeu pela exportação de 11 mil toneladas de carne suína em 2017, correspondentes a 1,63% do total comercializado pelo Brasil com o mercado externo.