Carne bovina tem queda de até 42% na Capital em 2023

Publicado em: 11 set 2023

Campo Grande (MS) – Os preços dos cortes bovinos apresentaram redução de até 42% em Campo Grande em 2023. Levantamento feito pelo jornal Correio do Estado aponta que casas de carnes e supermercados reduziram os valores de todos os cortes consultados em dezembro de 2022 e nesta quinta-feira. No mesmo intervalo, a arroba do boi gordo apresentou queda de 35% nos preços pagos aos produtores.

Pesquisa realizada pela equipe do Correio do Estado em casas de carnes e supermercados de Campo Grande aponta que, em dezembro de 2022, era necessário desembolsar R$ 37,98 para comprar 1 quilo de músculo. Enquanto nesta quinta-feira o mesmo corte custava, em média, R$ 21,65, redução de 42,99%. Em junho, 1 kg de músculo era comercializado a R$ 29,62.

A picanha registra preço médio de R$ 56,46, redução de 29,33% na comparação com os valores aferidos em dezembro, quando o quilo do corte bovino custava R$ 79,90, diferença de R$ 23,44. No sexto mês deste ano, a peça já havia apresentado redução de preços e era vendida a R$ 73,26.

O coxão mole e o coxão duro também aparecem com médias abaixo das encontradas no fim do ano passado. O coxão mole saiu de R$ 43,98 para R$ 30,64 (-30,33%). Já o coxão duro apresentou redução de 32,58%, sendo comercializado a R$ 43,98, em média, em dezembro e passando a R$ 29,65 neste mês.

O preço médio do quilo da costela era de R$ 24,98 e neste ano é comercializado a R$ 21,65. Já o contrafilé caiu de R$ 48,98 para R$ 34,30 no mesmo período, redução de 31,37%.

A supervisora do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese) em MS, Andreia Ferreira, explica que os frigoríficos demoraram a repassar a queda sentida na arroba do gado para o revendedor e, consequentemente, ao consumidor, e por isso acaba havendo uma mudança no comportamento do consumidor final.

“Trocaram-se os tipos de carne, o frango tem baixado consistentemente [de preço], virando uma opção, e o consumo de carne suína aumentou”, explica Andreia, destacando que a medida faz com que frigoríficos e revendedores reduzam os valores dos cortes bovinos. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em Campo Grande, as carnes tiveram redução de até 11,80% no acumulado de janeiro a julho.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, aponta neste ano redução de 2,82% na alcatra; de 4,51% no coxão mole; de 5,62% no contrafilé; de 8,13% na capa de filé; de 10,55% no músculo; e de 11,80% na costela bovina.

ARROBA

No início da cadeia produtiva, o preço pago ao produtor rural vem se arrastando há mais tempo. Após atingir o pico e ser comercializada acima de R$ 300, a arroba do gado tem despencado mesmo com os custos da produção subindo.

Conforme dados da Granos Corretora, houve um decréscimo de 35,45% na arroba do boi gordo no intervalo de dezembro de 2022 e setembro deste ano. No fim do ano passado, a arroba do animal era comercializada a R$ 304 no mercado físico local, enquanto na semana passada o preço médio foi a R$ 196,18. A vaca gorda apresentou queda de 24,22% no mesmo período comparativo, saindo de R$ 244,50 para R$ 185,28.

O economista Eduardo Matos explica que o produtor tem sido onerado com altos custos e baixo retorno. “Devemos frisar que nesse mercado quem precifica não é o produtor, e sim o frigorífico. Dessa forma, o frigorífico deu um preço mais baixo por notar que estava vendendo menos e o produtor poderia escolher entre vender ou segurar o rebanho, o que implica em encarecer mais o seu custo de produção e correr o risco de ter de vender ainda mais barato no futuro”.

“Se os custos produtivos caírem, é possível ver um preço mais baixo ainda este ano, mas se isso não ocorrer é possível que o preço suba um pouco, pois já existe uma pressão dos pecuaristas por uma valorização da arroba”, conclui Matos.

O boletim Casa Rural, da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), aponta ainda que a arroba do boi chegou a bater R$ 308 em abril do ano passado. Ainda segundo o boletim, no momento de seca, que geralmente é de baixa oferta de animais e valorização da arroba, há uma alta oferta de gado e, consequente, queda nos preços pagos aos produtores.

“A demanda não apresentou desempenho capaz de anular os efeitos da oferta de animais prontos para abate, que, historicamente, costuma ser mais abundante no encerramento da safra. No comparativo anual, os preços em 2023 estão ainda mais depreciados. Efeito claro da oferta expressiva de animais, em especial do maior número de fêmeas”, detalha o informativo.

ABATE

O relatório de movimentação de bovinos da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) registra que MS abateu 295 mil animais em julho e retraiu 0,78% em relação a junho, quando foram produzidos 297,4 mil animais para abate.

Nos sete meses, o Estado produziu 2,01 milhões de animais para abate, representando queda de 4,08% em relação ao mesmo período de 2022, que havia abatido 2,09 milhões de animais.

Do número de animais produzidos, 1,05 milhão refere-se a vacas, o que representou queda de 0,20% em relação ao semestre de 2022. E respondeu por 52,21% dos animais abatidos entre janeiro e julho de 2023.

Consumidor já sente no bolso
Na rotina de consumo nos supermercados, na Capital, as impressões sobre o preço da carne bovina ainda são divergentes, entretanto, na visão da maioria dos entrevistados pelo Correio do Estado os valores da proteína mais consumida no País já exibem queda em relação aos preços praticados no começo do ano, por exemplo.

Comerciante, Simone Ferreira relata que em sua residência todos concordam que a carne vermelha apresentou queda. “Minha mãe e eu vamos com mais frequência ao mercado e notamos que a maioria dos cortes que compramos diminuiu [o preço]”, conta ela, que ainda ressalta ter esperança de que os preços diminuam ainda mais no decorrer do ano.

Para o promotor de vendas Valdenir Ribeiro, o preço da carne anda pesando no bolso, uma vez que, em sua visão, os valores continuam elevados. “Continuam salgados [os preços], no mesmo patamar. Não deu para sentir essa diferença na hora de pagar”.

Como parte de sua rotina, a dona de casa Carla Araújo de Freitas conta que costuma ir ao açougue de duas a três vezes por semana, já que em sua casa a proteína animal é parte importante da alimentação. “Essas idas e vindas me fizeram perceber, sim, uma queda de preços, mas, sinceramente, não é um desconto que faça muita diferença no fim das contas”, diz.

Carla explica que a maioria dos tipos de carne que ela compra possui valores mais elevados. Nesse contexto, ela afirma que o recuo foi mínimo. “O filé-mignon mesmo, se eu pagava R$ 100, estou pagando R$ 97 pelo quilo agora. Não acho essa diminuição relevante”, dispara.

Para Alessandra Moraes, técnica de enfermagem, o cenário apresentou uma significativa mudança quando o assunto é carne bovina. “Não tem nem comparação com o ano passado, acho que os valores mudaram bastante, tenho inclusive conseguido consumir com mais frequência”, destaca.

Enquanto escolhia a carne para a janta, o funcionário público Edeilson de Oliveira relatou que tem sentido diferença nos preços. “Acho que caiu [o preço da carne], sim, porém, não é algo muito diferente, mas acredito que é questão de tempo para baixar ainda mais e para que possamos consumir esse produto que é produzido aos montes no nosso estado”.

Trabalhador do comércio, Valdir de Lima é mais um consumidor que concorda que o produto apresentou queda nos últimos meses. “É que estava tão alta antes, que hoje o pouco que diminui acaba não tendo muito efeito para a gente”, conclui.

Fonte: Correio do Estado

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